segunda-feira, 18 de julho de 2016

A força da grana...



Iniciativa privada é responsável por 54,3% dos investimentos em infraestrutura no Brasil em 2014, aponta CNI
Mais de 80% do valor, entretanto, foi financiado por BNDES, Caixa e Tesouro Nacional
Luísa Cortés, do Portal PINIweb
18/Julho/2016























A iniciativa privada foi responsável, em 2014, por 54,3% dos recursos destinados à infraestrutura brasileira, o que significa R$ 70,7 bilhões dos R$ 130 bilhões investidos no ano. Entretanto, a maior parte dos capitais tem origem em empréstimos de entidades públicas. Os dados são da pesquisa "O Financiamento do Investimento em Infraestrutura do Brasil", realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta segunda-feira (18).

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, foi responsável por 46,2% dos empréstimos garantidos em 2014. O banco, em parceria com a Caixa Econômica Federal e com o Tesouro Nacional respondeu, no ano, por 83% da dívida tomada para custeio de investimentos em transportes, energia elétrica, telecomunicações e saneamento. Juntos, desembolsaram R$ 137,9 bilhões, do total de R$ 166,2 bilhões que financiaram o segmento. É importante lembrar que o total do financiamento não equivale ao total investido, já que alguns empréstimos concedidos não são convertidos em investimento no mesmo ano.

O estudo ainda sugere que o Brasil deveria investir entre 4% e 5% do seu PIB em infraestrutura, para se aproximar de países com níveis semelhantes de desenvolvimento. Entre os anos de 2007 e 2014, o valor investido foi ampliado em 167%, mas não traduziu numa melhor oferta de serviços, segundo a CNI. A entidade avalia que não é possível, a curto prazo, que a taxa de investimento do setor alcance 5% do PIB, não apenas por restrições macroeconômicas, mas também pela ausência de projetos de qualidade. Atualmente, o percentual do PIB brasileiro investido em infraestrutura encontra-se em 2,16%.

Dos setores de infraestrutura, aqueles a receberem maiores investimentos em 2014 foram: transportes (R$ 52,3 bilhões), eletricidade (R$ 37,5 bilhões), telecomunicações (R$ 29,3 bilhões) e água e saneamento (R$ 11,0 bilhões).

Quanto aos investimentos em transportes, em 2014, foram R$ 24,8 bilhões investidos em rodovias; R$ 9,4 bilhões em mobilidade urbana; R$ 8,9 bilhões em ferrovias; R$ 5,1 bilhões em aeroportos; R$ 3,3 bilhões em portos e R$ 800 milhões em hidrovias.

Apesar no aumento quantitativo de verbas financeiras, o percentual de investimento em transportes relativo ao PIB diminuiu ao longo das últimas décadas, já que era de 2,03% na década de 70; passou para 1,48% na década de 80; e para 0,63% na década de 90. Atualmente, entretanto, apresentou uma média de 0,7% entre os anos de 2001 a 2014.

Em telecomunicações, observou-se um expressivo crescimento de investimentos no setor na década de 1990. O percentual relativo ao PIB para o segmento era de 0,8% na década de 70; 0,43% na de 80; 0,73% na de 90 e 0,64% durante o período de 2001 a 2014.

Água e saneamento, apesar de ligeiro crescimento nos anos 2000 (passou de 0,15% na década de 90 para 0,19%), continua inferior aos dados dos anos 70 (0,46%) e 80 (0,24%). Quanto aos investimentos em eletricidade, os números caíram, de modo a apresentarem 2,13% nos anos 70; 1,47% nos 80; 0,76% nos 90; e 0,65% de 2001 a 2014.
O estudo ainda aponta que os setores com maior volume de investimentos (transporte e eletricidade) têm fontes públicas e privadas de investimento, enquanto o setor de telecomunicações é basicamente privado. Em saneamento, entretanto, as empresas privadas têm um papel secundário.

A CNI defende uma maior participação de investimentos privados no setor da infraestrutura, sob o argumento de que não é esperada uma expansão de crédito do BNDES e dos demais bancos públicos nos próximos anos, numa magnitude capaz de dar suporte ao investimento privado.

Ela mesma lembra, entretanto, que é improvável que instituições como fundos de pensões e seguradoras ampliem sua exposição a papéis de infraestrutura. Também é salientado que o problema não é apenas a escassez de recursos, mas também a eficiência com que os investimentos são realizados.