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domingo, 17 de abril de 2016

É terrivel certas decisões de governo



Entidades de arquitetura criticam MP que possibilita às empreiteiras realizar desapropriações




"Como pode o governo transferir a uma empreiteira o poder de definir o que fazer com um trecho da cidade?", questiona o presidente do IAB
Luísa Cortés, do Portal PINIweb
13/Abril/2016




O Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) enviou um ofício no dia 6 de abril à deputada Soraya Santos (PMDB-RJ), no qual manifesta, junto a outras cinco entidades do setor da arquitetura, preocupação em relação à MP 700/2015 Segundo a entidade, a medida provisória possibilita às empreiteiras a realização de desapropriações de utilidade pública para a execução de empreendimentos com o uso da “contratação integrada”, instrumento que dispensaria o projeto nas licitações de obras públicas.

O presidente do IAB, Sérgio Magalhães, afirmou no documento que “licitação sem projeto completo resulta em obra com custo sem limite, prazo ampliado e qualidade baixa — demonstrado pelos preços dos estádios da Copa, pelas obras paradas do PAC, pela Refinaria Abreu e Lima, com custo dez vezes maior e muitas outras”.

“Agora, pela MP 700/15, a empreiteira contratada por Contratação Integrada (isto é, sem projeto) recebe do Estado o poder de desapropriação (Art 3º, IV). (…) No âmbito territorial, a MP 700/15 há de ter implicações a avaliar. No âmbito urbano, por certo haverá consequências políticas e sociais graves, visto o direito das populações atingíveis, pois a MP é potencialmente dirigida às favelas e áreas pobres bem situadas no contexto da cidade”, diz.

Magalhães ainda questiona: “como pode o governo transferir a uma empreiteira o poder de definir o que fazer com um trecho da cidade? E que isso se dê sem prévio projeto? Sem ouvir os cidadãos?”, e ainda: “De fato, o governo alienará o que não lhe pertence. A cidade é da cidadania, não é do governo”.

A manifestação é apoiada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Brasil (CAU BR), pela Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), pela Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP), pela Confederação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA), pela Associação Brasileira de Consultores de Engenharia (ABCE) e pelo Sindicato Nacional de Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco).

Para acessar na íntegra o documento enviado à relatora da Comissão Mista sobre a MP 700/2015, clique aqui

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Golfe moderno



RUA ARQUITETOS . RIO DE JANEIRO, RJ . 2012/2015
Rua Arquitetos projeta Sede do Campo Olímpico de Golfe no Rio de Janeiro
POR FRANCESCO PERROTTA-BOSCH FOTOS LEONARDO FINOTTI
Edição 263 - Fevereiro/2016











À sombra da polêmica ambiental que envolveu a escolha do sítio, jornais e revistas não perceberam a notável arquitetura que ali surgia. Comparada à imensidão da planície que a envolve, é comedida a dimensão da sede do campo de golfe das Olimpíadas do Rio de Janeiro. É a escala correta para uma edificação que se permite ser atravessada pela paisagem exuberante: não somente o vento a corta livremente, mas o olhar permanece desimpedido para admirar o gramado entremeado por pequenas dunas e circundado pelo manguezal que o separa da lagoa de Marapendi. O que vemos é uma espécie de miragem da Barra da Tijuca idealizada por Lucio Costa: a planície natural a perder de vista - é verdade que em um estado menos selvagem do que o imaginado pelo mestre - e um aglomerado de edifícios altos brotando ao longe nessa baixada.

A horizontalidade do edifício faz eco à paisagem. Um eixo linear nos encaminha da rua à sede social do Golfe Olímpico: um conjunto de baixos blocos com laje plana de concreto em meio aos quais se vê aflorar estruturas tensionadas que, lado a lado, abrem-se para cima.

A dupla Pedro Évora e Pedro Rivera, do escritório carioca Rua Arquitetos, foi selecionada em um concurso nacional realizado pelo IAB em 2012, com esta proposta que parte de uma praça de articulação dos diversos espaços necessários ao programa. Ou seja, o núcleo do edifício é um vazio, um quadrilátero com três lados delimitados por blocos térreos e o outro lado francamente aberto ao campo de golfe. O elemento que nos faz identificar o perímetro da praça é o piso de madeira de reflorestamento, que se destaca do gramado. Observando a totalidade, a sede do golfe eleva-se cerca de 70 cm acima do solo. O deck de madeira da praça irradia por entre e ao redor dos blocos, fazendo com que os espaços de circulação não se assemelhem a corredores, mas a varandas.