terça-feira, 22 de agosto de 2017

Energia solar é para todos



Para aproveitar o Sol





A produção de energia elétrica por meio de tecnologia solar fotovoltaica no Brasil está crescendo em ritmo acelerado, embora ainda represente menos de 0,02% da matriz de energia elétrica do país. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a potência instalada no território nacional no primeiro trimestre deste ano atingiu 107,6 megawatts (MW), 15 vezes mais do que a registrada no mesmo período em 2015. Para orientar a expansão da exploração desse tipo de energia no país, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) lançou a segunda edição do Atlas brasileiro de energia solar, que reúne um conjunto de informações acumuladas nos últimos 17 anos sobre a incidência de radiação e os locais mais propícios para a instalação de módulos fotovoltaicos. O documento substitui a primeira versão do Atlas, lançada em 2006, que reunia um espectro de informações menor, referentes à década anterior.

Produzido em colaboração com instituições como as universidades federais de São Paulo e de Santa Catarina, a Tecnológica Federal do Paraná e o Instituto Federal de Santa Catarina, o Atlas identificou um potencial de geração de energia solar no Brasil que chega a 2.281 quilowatts-hora por metro quadrado por ano (kWh/m²/ano), o suficiente para produzir o equivalente a três vezes o consumo residencial anual nos estados da Bahia e de Pernambuco. O estudo reafirma que os maiores valores de irradiação solar ocorrem no chamado Cinturão Solar, faixa que vai do Nordeste ao Pantanal (ver mapa), em especial no sertão da Bahia e em boa parte de Minas Gerais. Uma novidade é a recomendação de que os investimentos em novas plantas de geração de energia fotovoltaica busquem também áreas mais ao sul, que abranjam o sudoeste de Minas Gerais, passando pelo noroeste de São Paulo e o norte do Paraná. Embora apresentem níveis de irradiação solar um pouco mais baixos que os do Nordeste, essas áreas têm acesso a mais pontos de conexão com o sistema interligado de transmissão de energia elétrica do país.


“Os estados do Nordeste têm alta incidência solar, mas estão em uma região com menos opções de conexão com a rede nacional de distribuição de energia elétrica . Isso pode inviabilizar projetos na região, porque torna mais cara a interligação dos sistemas fotovoltaicos às redes de distribuição”, explica o físico Enio Pereira, pesquisador do Laboratório de Modelagem e Estudos de Recursos Renováveis de Energia do Inpe e coordenador do estudo. Procura-se com isso evitar problemas como os enfrentados na produção de energia eólica no país. “Alguns parques eólicos foram instalados no Nordeste sem linhas de transmissão suficientes. Essa situação acabou impondo a necessidade de novos investimentos no transporte de energia.” O custo de implantação da energia solar ainda é alto. Atualmente, são necessários aproximadamente R$ 8 milhões para erguer uma central solar com potência instalada de 1 megawatt (MW). Esse investimento representa em média três vezes mais do que o necessário para construir uma central eólica com a mesma capacidade. O Brasil conta com algumas centrais solares, como a Usina Solar de Tauá, no sertão cearense, e a Usina Solar Cidade Azul, no município de Tubarão, em Santa Catarina.


Monitoramento atualizado
Assim como aconteceu com o Atlas de 2006, a nova edição se propõe a orientar a elaboração de políticas para o setor de energia solar. “O primeiro Atlas foi lançado em uma época em que a energia solar fotovoltaica dava seus primeiros passos e ajudou a Empresa de Pesquisa Energética [EPE, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia] a implementar os primeiros projetos”, afirma Pereira. O novo estudo traz um conjunto maior de dados e análises. “Refinamos os dados e aperfeiçoamos as metodologias. O Atlas funciona como uma ferramenta para incentivar os investidores a implementar mais projetos de energia solar, agora com uma base mais confiável de evidências”, ressalta. As informações foram coletadas em mais de 500 estações solarimétricas espalhadas pelo território nacional e no monitoramento por satélite dos índices de irradiação solar dos últimos 17 anos.

O Brasil, mostra o estudo, tem uma distribuição bastante uniforme de irradiação solar, que varia pouco na geografia do país. Uma exceção é a região amazônica, que tem muitas chuvas durante o ano e, por isso, não desperta interesse para grandes empreendimentos em energia solar. “A nebulosidade na Amazônia tem impacto negativo sobre a geração de energia em centrais solares”, afirma Pereira.

Isso não impede que projetos de microgeração fotovoltaica, modelo baseado em painéis instalados nos telhados das casas, sejam implementados na região, alerta. A física Izete Zanesco, pesquisadora do Núcleo de Tecnologia em Energia Solar da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), salienta que o planejamento do setor deve levar em consideração as áreas que ficaram de fora do Cinturão Solar. “Como o Brasil tem níveis favoráveis de irradiação solar em todo o território, módulos fotovoltaicos podem ser instalados em residências ou empresas em qualquer lugar do país”, afirma. Já no caso de grandes centrais fotovoltaicas, ela reconhece que é mais produtivo seguir as informações do Atlas e instalá-las nas regiões com maior incidência solar.

A Aneel projeta para 2024 mais de 800 mil residências no Brasil produzindo a própria energia elétrica por meio de fonte solar. No caso da microgeração, com potência instalada menor ou igual a 75 kW, havia, no primeiro trimestre de 2015, 556 sistemas de microgeração de energia solar instalados no país. Em agosto de 2017, esse número havia saltado para 12.977. A maioria desses sistemas concentra-se nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Um dos motivos do crescimento são as recentes mudanças na legislação e a regulamentação do setor, que permitiram que o excedente de captação de energia solar gerado, por exemplo, em residências, possa ser distribuído para a rede de eletricidade, gerando um desconto na fatura de energia dos produtores domésticos. Algumas empresas já transformam esse excedente em um crédito a favor do consumidor, como é o caso da CPFL Energia na região de Campinas.

Outro fator é que o preço dos sistemas fotovoltaicos caiu significativamente na última década, em parte devido à entrada da China no mercado fornecedor. “Hoje, mais de 80% dos módulos fotovoltaicos são produzidos na Ásia, especialmente na China, que também é o país que mais instala esses equipamentos”, explica o físico Arno Krenzinger, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). De acordo com ele, o barateamento das placas pode favorecer a consolidação de mais empreendimentos no país, caso haja também políticas de incentivos mais fortes. “O Brasil depende da importação de células solares, um componente tecnológico dos módulos. Há grupos de pesquisa desenvolvendo esse material no país, mas não em escala industrial.” Mesmo mais acessível, trata-se de uma tecnologia cara para o consumidor comum. “O investimento para quem quer instalar um sistema fotovoltaico de 2 kilowatts na residência é de aproximadamente R$ 15 mil”, estima Izete Zanesco. Isso representaria, em média, uma economia de aproximadamente R$ 200 reais por mês na conta de luz, variando de acordo com o estado.

O Atlas identificou uma tendência de aumento da irradiação solar em quase todas as regiões do país. No Sudeste, por exemplo, a média diária de irradiação solar em 2006 foi de 5 kWh/m²/ano; em 2014 houve um leve aumento, para 5,2 kWh/m²/ano. A exceção é a região Sul, que apresentou uma redução da incidência de radiação solar. Em 2006, a média era de 4,7 kWh/m²/ano e, em 2014, havia caído para aproximadamente 4,5 kWh/m²/ano. “Ainda assim, mesmo no local menos ensolarado do Brasil é possível gerar mais eletricidade solar do que no local mais ensolarado da Alemanha, um dos países mais avançados no uso dessa energia”, afirma Enio Pereira. De acordo com o pesquisador, os mecanismos físicos associados ao fenômeno ainda são pouco compreendidos.

 Com potência instalada de 3 MW, a Usina Solar Cidade Azul, no município de Tubarão, em Santa Catarina, é uma das maiores centrais do país

O estudo do Inpe também aponta tendências tecnológicas ligadas à energia solar que poderiam ser mais exploradas no país. Uma delas é a energia heliotérmica, em que a radiação solar é captada e armazenada em forma de calor – Espanha e Estados Unidos são alguns dos países que usam essa tecnologia. “Trata-se de um processo em que se utiliza a energia solar para aquecer um fluido, que passa por uma caldeira e gera vapor na usina termelétrica”, explica Enio Pereira, do Inpe. O Atlas também recomenda a expansão do uso da energia solar para aquecimento de água a temperaturas abaixo de 100 °C, em substituição a sistemas de aquecimento elétrico ou a gás, como chuveiros.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Soluções para obras de tráfego



Produção em série dos módulos de concreto pede rigor no içamento e posicionamento das peças. Conheça a barreira utilizada na Tamoios
Dirceu Neto
Edição 72 - Julho/2017




Vista do perfil da peça pré-moldada de concreto. A conexão dos módulos é feita por estrutura metálica
 O QUE É 





A barreira pré-moldada NJ100, amplamente utilizada na Rodovia dos Tamoios, não tem sido mais fabricada pela Segurvia. O produto que a substitui agora é o Segur ET100. Segundo explica Eduardo Di Gregorio, diretor da empresa, são modelos parecidos, mas o perfil de rolagem embaixo da estrutura é diferente devido a um aperfeiçoamento após crash testes realizados na Itália. 'Esse produto novo tem a função de mover a roda, projetando o veículo sobre a estrutura e o redirecionando novamente para a pista', afirma o diretor. O Segur ET100 é formado pela mesma estrutura que o NJ100: concreto pré-moldado de alto desempenho na quantidade de 1,5 m³ e 117 kg em barras de aço, o que dá um peso total de 3.700 kg. O componente tem 1 m de altura e 6,20 m de comprimento. A parte superior possui 0,15 m de largura e a base tem 0,62 m de largura, conferindo à estrutura um formato de uma letra T ao contrário. Cada módulo possui quatro passagens de água para drenagem da via.



sábado, 20 de maio de 2017

Corrupção que acaba com o Brasil



MPRJ pede devolução de R$ 3,17 bilhões relacionados às obras da Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro
Entre os réus da ação, estão o ex-governador do estado Sérgio Cabral e as construtoras Odebrecht, Queiroz Galvão e Carioca Engenharia
Gabrielle Vaz, do Portal PINIweb
4/Maio/2017



Foi ajuizada na última terça-feira (2) uma ação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 4ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital, contra o ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, três ex-secretários de Transportes, servidores e empreiteiras.

 A ação tem como propósito condenar por improbidade administrativa os envolvidos nas irregularidades do contrato de implementação da Linha 4 do Metrô do Rio, que liga a Zona Sul à Barra da Tijuca, além de devolverem R$ 3,17 bilhões aos cofres públicos.

Foi requerido pelo MPRJ uma ação pela a 6ª Vara de Fazenda Pública da Capital que os réus paguem por danos morais causados a população e ao governo do estado o valor inicial de R$ 30 milhões, que é correspondente a 10% do dano provocado pelas irregularidades do contrato, além da requisição de indisponibilidade de bens de todos os acusados.

A Linha 4 do Metrô teve seu primeiro contrato de concessão assinado em 1998, pelo governador carioca na época, Marcello Alencar, e a Concessionária Rio Barra, mas não tiveram suas obras iniciadas. Em 2010, sob a administração do ex-governador Sérgio Cabral, a contratação foi retomada com a urgência de atender o evento da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Com a nova contratação, houve alteração em quatros termos aditivos, onde, após investigações do MPRJ, foram observadas irregularidades nas mesmas modificações contratuais, configurando-as como falhas de planejamento. A principal alteração foi no Termo Aditivo nº1, que teve o trajeto inicial modificado sem elaboração prévia, estudos técnicos e análise de viabilidade econômico-financeira.

São responsáveis pelas alterações nos termos aditivos Cabral, os ex-secretários estaduais de Transportes Júlio Lopes, Carlos Osório e Luiz Carlos Velloso; as empresas Odebrecht, Queiroz Galvão, Carioca Engenharia, Cowan e Servix; e os consórcios Rio Barra (CCRB) e Linha 4 Sul (CL4S); responsáveis pela administração da estatal RioTrilhos e da Agência Reguladora de Transportes do Estado do Rio de Janeiro (AGETRANSP).

As irregularidades aconteceram dentro do período de março de 2010 e outubro de 2015 nos setores de planejamento, gestão e execução dos contratos, além de superfaturamento e sobre preço, conforme o relatório técnico da Coordenadoria de Auditoria de Obras e Serviços de Engenharia do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), que compõe o processo que está na Corte Estadual de Contas.
No total são 14 irregularidades de superfaturamento e sobrepreço, envolvendo oito réus que eram responsáveis fiscais, no desperdício de concreto, espalhamento e compactação para o bota-fora, transporte indevido de material escavado em caminhões fora do previsto, concreto com preço superestimado, pagamento de serviço sem valor previsto em contrato e sobrepreço geral de serviços.

Há uma investigação em início pela Subprocuradoria-Geral de Justiça de Assuntos Cíveis e Institucionais, sob delegação do procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, para investigar a suposta participação do atual governador Luiz Fernando Pezão. Além de um inquérito em andamento pelo MPRJ sobre as obras da Estação Gávea, que estava prevista para entrega em janeiro de 2018, mas que estaria paralisada.

LISTA DE RÉUS: 

Núcleo da Administração Superior: Sérgio Cabral (ex-governador), Júlio Lopes (ex-secretário Estadual de Transportes e ex-diretor-presidente da Riotrilhos), Carlos Roberto Osorio (ex-secretário estadual de Transportes) e Luiz Carlos Velloso (ex-Subsecretário Estadual de Transportes)

Núcleo da Diretoria da RioTrilhos: Júlio Lopes (ex-secretário estadual de Transportes e ex-diretor-presidente da Riotrilhos), Bento José de Lima (diretor de engenharia), Tatiana Vaz Carius (diretora-presidente), Heitor Lopes de Sousa (diretor de Engenharia) e Air Ferreira (gerente do Departamento de Controle Técnico)

Núcleo Empresarial: Concessionária Rio Barra S/A, Queiroz Galvão Participações Concessões S/A, Odebrecht Participações Investimentos S/A, Zi-Participações S/A, Construtora Norberto Odebrecht S/A, Construtora COWAN S/A, Servix Engenharia S/A, Construtora Queiroz Galvão S/A, Consórcio Construtor Rio-Barra; Consórcio Construtor Linha 4 Sul Carioca; Carioca Christiani Nielsen Engenharia S/A; e ZI-GORDO S/A.

Núcleo AGETRANSP: Luiz Antonio Laranjeira (ex-presidente) e César Mastrangelo (ex-presidente).

Núcleo de Fiscais da Obra: Francisco Ubirajara Gonzales Fonseca; Carmen de Paula Barroso Gazzaneo; Isabel Pereira Teixeira; Francisco de Assis Torres; Marco Antônio Lima Rocha; Luiz Reis Pinto Moreira; Eduardo Peixoto d'Aguiar; João Batista de Paula Junior.