domingo, 19 de julho de 2015

Arte e design. Como a arquitetura cria espaços únicos.

Nosso comentário: O fantástico trabalho da arquitetura no Brasil, se deve em primeiro lugar ao histórico de liberdade e ousadia dessa arte no pais, citados Brasilia e tantas outras obras e ao conteúdo renovador das principais universidades. É muito bonito ver jovens com tamanha criatividade e capacidade técnica porque arquitetura além de arte, é engenharia.



Arquitetos do GrupoSP desenham residência em São Paulo com cuidadoso controle de vãos e de entradas de luz
Por Rafael Urano Frajndlich Fotos Nelson Kon
Edição 256 - Julho/2015

A residência na cidade de São Paulo segue os parâmetros que marcam o todo das obras do GrupoSP: busca de uma beleza estrutural, objetividade no uso de materiais e articulação do espaço que destaca aspectos da vida de seus moradores.

Vista de fora, a casa já demonstra os seus materiais estruturais: paredes de concreto e vigas de aço. Um brise de chapas metálicas horizontais filtra a luz com um sistema denso de aberturas, o que cria um curioso jogo de vultos escuros dentro da casa: abajures, mobiliários, esculturas e outros objetos aparecem no primeiro plano por cima do muro de acesso. Em uma habitação feita em lote urbano, é comum que algumas áreas sejam preenchidas por penumbras e sombras. O GrupoSP enfrentou este problema num jogo de cheios, vazios, transparências e opacidades que fazem das penumbras uma protagonista em si, de modo que, no limite, radicalizam-se as sensações espaciais, podendo-se supor que a casa é feita pela articulação de concreto, aço e sombras.
Abrindo-se a porta de acesso, feita de chapas metálicas, adentra-se no pequeno pátio de entrada, preenchido com as espécies determinadas pelo paisagista Raul Pereira. Atravessando o portão, nesta posição, pode-se ver toda a extensão da casa e o muro de fundo, numa perspectiva da qual se intui o tamanho todo do lote, sobretudo pela porta de entrada da casa ser de vidro e pela ausência de veículos estacionados no recuo frontal, posto que aos carros foi aberto um subsolo.
Dentro, tem-se a surpresa: o corredor de acesso que distribui os programas é ladeado por um mobiliário desenhado sob medida em chapas metálicas que resolve uma estante de livros que corre toda a face da casa. Um rasgo zenital faz com que entre uma fria luz por cima das estantes, deixando esta ala escura, quase como uma cella, ou como o setor de livros raros de uma biblioteca.
Mais do que um local para armazenar volumes, os planos metálicos servem como suporte ao acervo cultural da casa: nichos são moldura para as pinturas de Tomie Ohtake, ornam com outras obras instaladas nas paredes adjacentes e uma escultura de Bruno Giorgi.
Com um artifício estrutural - o recuo da laje antes de encontrar a parede limítrofe do terreno - os arquitetos conseguiram preencher com a estante metálica toda esta face da casa. Os proprietários procuraram deixar os livros relacionados às suas profissões nos seus escritórios, deixando na casa apenas volumes que atestam a espessura de seus interesses: na penumbra pela qual se circula, salta à vista lombadas de distintas obras, como uma edição americana das Passagens do filósofo Walter Benjamin, um exemplar do Cosmos de Carl Sagan, as memórias que Niemeyer escreveu em As curvas do tempo.
A estante chega até a sala, onde seus usos se tornam mais frugais: com um engenhoso sistema de portas tipo camarão, armazenam o televisor. Uma sucessão de armários baixos, no nível dos pés, encerra uma lareira, que mal se consegue ver quando apagada, de tão esforçado foi o seu detalhamento, para que não se sobressaísse diante da estante.
A luz do recuo de fundo inunda a sala de estar, e fez dela um entremeio com as alas externas, onde espécies baixas convivem com uma escultura de Amílcar de Castro. O andar superior tem um recorte nesta ala, deixando que a iluminação natural entre também pelo alto da sala, criando diferentes matizes de luz banhando o concreto armado aparente, desenhando por sombras os limites da área de jantar dos sofás e canapés de convivência.
Dois pequenos jardins dão apoio a esta parte da residência: um no quintal dos fundos e outro ocupando parte do recuo lateral, no qual uma pesada mesa de madeira e metal comprada num antiquário contrasta com a empena lateral de concreto armado. Nas áreas externas, empilhadas à maneira dos livros e obras de arte do interior, espécies de plantas se prendem nos muros por jardins verticais, uma biblioteca natural.
A cozinha é resolvida sem rodeios, em linha, num duplo mais iluminado do corredor da estante. A circulação vertical é feita por um sistema de escadas sobrepostas e um elevador hidráulico, que vence os três andares da casa e seu subsolo. Nesta área da residência, a escuridão é quase total, chegando ali apenas um pouco de luz natural pelo alto. A escada é feita por placas de concreto vazadas, fixadas em duas empenas.
No primeiro pavimento, dois quartos simétricos contêm um amplo closet e suíte, na qual os arquitetos reforçaram os jogos de escuro e claro utilizando pastilhas cinza-escuro. O mobiliário dos dormitórios também foi feito sob medida, mas desta vez de marcenaria, com placas de compensado naval aparentes, em uma singeleza que contrasta com as densas placas metálicas perfuradas que servem como proteção ao sol. Se de fora elas diluem os cheios e vazios de luz, por dentro elas filtram a vista do bairro residencial que envolve a casa, enviando a vista do céu e das árvores que marcam o miolo da quadra.
Entre os brises e o dormitório, um estrado metálico em gradil eletrofundido cria uma estreitíssima varanda, que se confunde com uma área de manutenção, formando um espaço incomum entre piso e fechamento.
No andar mais alto, uma academia de ginástica ampla marca a parte mais iluminada da casa: como um ginásio linear, distribuem-se diversos objetos para a prática de exercícios físicos, servidos por dois terraços externos que permitem uma vista desobstruída da paisagem, como um ponto de interrupção do jogo de sombras que marca os andares inferiores.
Recém-entregue, os arquitetos fazem um balanço positivo do desenho desta residência de alto padrão, a mais elaborada com que tiveram de lidar, inserindo detalhes como elevadores, desenhando muitos encontros de materiais e sistemas que, atualmente, são exigidos por este tipo de programa. O GrupoSP tem suas contribuições em projetos de variadas escalas - como o projeto do Sebrae em Brasília (AU 204), os edifícios residenciais desenhados em São Paulo, como o Simpatia (AU 207), e em residências unifamiliares, como a casa no Morro do Querosene (AU 190). Independentemente do tamanho dos edifícios, é visível o ponto de convergência das pesquisas do grupo, que congrega distintas gerações de arquitetos em um esforço de fazer uma especialidade sempre surpreendente pautada por grandes gestos.
Nesta nova casa, pode-se ver novas fronteiras pelas quais os profissionais se aventuram, sobretudo pela construção das sombras, que se tornaram um gesto em si, tão marcante quanto os planos de concreto aparente, as delgadas vigas metálicas e o preciso desenho da planta.

CONCRETE, STEEL AND SHADOWS
The residence in the City of São Paulo follows the parameters that mark GrupoSP's constructions: the search for structural beauty, objectivity in the use of materials and the articulation of space, which highlights the living aspects of its dwellers. Seen from the outside, the house shows its structural materials right away: concrete walls and steel beams. A brise of horizontal metal sheeting filters the light with a dense opening system, which creates a curious game of dark figures inside the house. On entering the gate, in this position, the full extension of the house and the perimeter wall in the back can be seen, in a perspective that allows an insight on the full size of the lot. Inside, there is a surprise: the access corridor that distributes the rooms is lined by costumed designed metal sheeted furnishing that resolves a book case that runs the entire face of the house. A zenithal slit allows cold light to enter from above the book cases, leaving this wing dark, almost like the rare book section in a library. The book case runs all the way to the living room, where its uses become more frugal: with um resourceful system of folding doors that store the television. The light from the nook in the back floods the living room. The top floor has a cutout in this wing, allowing natural lighting to also enter from above. On the bottom floor, the dense perforated metal plates serve as protection to the soil. If they dilute the projections and hollows of light on the outside, on the inside, they filter the view of the borough that surrounds the house. Between the brises and the bedroom, a base of electroplated metal grating creates a very narrow porch, forming an unusual space between the floor and the closure.

sábado, 27 de junho de 2015

Módulos termoacústicos

Lafaete forneceu módulos termoacústicos no Porto de Açu
Equipamentos foram usados enquanto os prédios administrativos do terminal de minério de ferro eram construídos





A Ferroport, joint-venture formada pela mineradora sul-africana Anglo American e pela Prumo Logística, é responsável pela operação do terminal portuário de minério de ferro no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). Entre os anos de 2007 a 2014, a empresa realizou a construção desse terminal, numa área de 90 mil metros quadrados, onde foram investidos cerca de R$ 1,9 bilhões.

Localizado a aproximadamente 40 quilômetros do centro da cidade, em local arenoso e plano, com baixo índice pluviométrico, o terminal portuário de minério de ferro possui área administrativa com 13 prédios de apoio, subestação própria, pátio de minério, ponte com extensão de 3 quilômetros e um Pier de atracação.
DESAFIO
Para uma obra desse porte, realizada num período de sete anos, seria necessário um canteiro de obras estruturado para alocar equipes administrativas e de operações enquanto os prédios administrativos do terminal não fossem concluídos, proporcionando ambiente de trabalho confortável, seguro e com boa mobilidade para as equipes. A Ferroport precisava de uma empresa que locasse módulos habitacionais e exigiu empresas qualificadas e certificadas para fornecer essas estruturas, além de rápida disponibilidade.
SOLUÇÃO
Para acomodar os funcionários até a conclusão dos prédios definitivos do terminal portuário, a Lafaete entregou 27 módulos com painéis termoacústicos, incluindo sanitário com caixa de dejetos, módulos para escritórios temporários, 3 sobretetos, 16 aparelhos de ar condicionado, além de mobílias (cadeiras, mesas e armários).
A instalação dos módulos foi feita com o auxilio de caminhão Munck e de montadores próprios. A Lafaete fez a montagem e o acoplamento de todos os módulos, das instalações dos aparelhos de ar condicionado e dos sobretetos, além da entrega do mobiliário, e das instalações de elétrica e hidráulica.
Como se trataram de instalações temporárias, o custo/beneficio foi viável, já que a infraestrutura é de excelente qualidade.Os produtos alugados atenderam às necessidades da Ferroport especialmente em relação à qualidade do material (módulos habitacionais tipo contêiner com painéis termoacústicos, com diferentes e plantas e aplicações), prazos e custos.
A possibilidade de montar os contêineres da forma desejada, diferenciando os layouts, ajudou a atender a necessidade da empresa de acordo com suas áreas, favorecendo um ambiente agradável e de extrema qualidade para os funcionários.
DESCRIÇÃO DO PRODUTO

Linha Termoacústico: A Linha Modular Termoacústico é constituída por painéis termoacústicos com núcleo isolante em EPS de 50 milímetros de espessura, proporcionando bem-estar, conforto térmico e acústico, além de resistência e eficiência. As vantagens desse produto são:

-Auto extinguível, ou seja, não propaga chamas;
-Alta durabilidade e resistência;
-Layout flexível - acoplamento e sobreposição de acordo com a necessidade;
-Versatilidade no transporte – montado ou desmontado;
-Sistema Plug & Use – fácil conexão com a rede de água e de esgoto local;
-100% reaproveitável e reciclável;
-Não gera resíduos e nem desperdícios na obra.

domingo, 24 de maio de 2015

Bandidos de colarinho branco.

Justiça bloqueia mais de R$ 500 milhões de empreiteiras investigadas pela Lava Jato
Galvão Engenharia, Camargo Corrêa e Grupo Sanko têm até 15 dias para apresentar os bens confiscados

Kelly Amorim, do Portal PINIweb
15/Maio/2015





 A Justiça Federal do Paraná decretou na última quarta-feira (13) o bloqueio de R$ 241 milhões da empreiteira Camargo Corrêa e do Grupo Sanko e de R$ 302 milhões da Galvão Engenharia relativos aos pagamentos de propinas pagas por participação em contratos da Petrobras, investigadas no âmbito da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Os réus das ações têm até 15 dias para apresentar os bens.
Com o valor bloqueado anteriormente da Engevix Engenharia, o montante tornado indisponível de empresas acusadas na Lava Jato alcança R$ 700 milhões.
De acordo com o procurador da República Deltan Dallagnol, com as denúncias divulgadas nesta semana contra quatro ex-deputados federais e outros nove acusados, chega a 28 o total de acusações formais perante a Justiça Federal. A investigação tem 128 suspeitos, além de cinco ações de improbidade.
A Lava Jato tem ainda 15 acordos de delação premiada, que levaram à restituição voluntária de R$ 570 milhões. Do total, R$ 369 milhões foram repatriados.
Em nota, a Galvão Engenharia informou que desconhece a decisão judicial. "Causaria surpresa tal determinação, pois na ação em que o Ministério Público Federal (MPF) pede a devolução de valores, ajuizada há cerca de três meses e da qual tivemos conhecimento, não há referência a qualquer tipo de bloqueio", disse a empresa.
Procuradas pela reportagem, as empresas Camargo Corrêa e Grupo Sanko ainda não se posicionaram.


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Reciclagem na construção civil.

MRV Engenharia transforma resíduos construtivos em peças para compor muros de empreendimentos.

Sistema de reciclagem em operação em Uberlândia economizou R$ 3,5 mil em compra de materiais em três meses
Kelly Amorim, do Portal PINIweb





A MRV Engenharia está transformando resíduos construtivos da Classe A em peças para a estrutura dos chapéus dos muros dos empreendimentos na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais. São utilizados materiais como restos de blocos, sobras de cerâmica, argamassa e corpos de prova de concreto estrutural, que passam por processos de moagem e aglutinação dos resíduos sólidos.
A ação, de acordo com a construtora, contribui significativamente para a redução de resíduos produzidos no canteiro e descartados no meio ambiente e para a redução dos custos da construção, já que a empresa não compra mais as peças para concluir os muros dos empreendimentos.
"Foi desenvolvido um traço para o concreto e fez-se os rompimentos necessários para verificação da resistência da peça. Para a fabricação unta-se a forma com desmoldante a base de água, preenche-se as formas com o concreto e no dia seguinte faz-se a desfôrma. As peças ficam em processo de cura por 15 dias e depois são transferidas para a obra para devida aplicação", explica o gestor de Obras da MRV Leonardo Sampaio.

Em três meses, o processo economizou mais de R$ 3,5 mil em compra de materiais. Ainda segundo Sampaio, a ideia surgiu dentro do Programa de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PRGRCC), que prevê diversas ações para reaproveitar os resíduos gerados no processo construtivo dos empreendimentos, evitando o descarte em caçambas de entulho.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Novas alternativas para a construção civil

Minha Casa, Minha Vida entrega o primeiro residencial do Paraná construído com woodframe
Sistema desenvolvido pela Tecverde permitiu a construção de 66 imóveis em seis meses
Kelly Amorim, do Portal PINIweb







O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) do Governo Federal entregou na última segunda-feira (23) o primeiro condomínio residencial com imóveis construídos em woodframe do Paraná. Chamado de Moradias Nilo, em Curitiba, o empreendimento de R$ 4 milhões com 66 unidades residenciais unifamiliares foi construído em seis meses pela empresa Tecverde.

O método construtivo utilizado permite que uma residência, sem a cobertura, seja edificada em menos de três horas. A construção do condomínio durou, portanto, cerca de metade do prazo normal para uma obra convencional do mesmo porte, além de ter redução de 75% da demanda por mão de obra e de gerar apenas 25% dos resíduos de um canteiro comum.
A tecnologia sustentável a seco, homologada pela CAIXA e o Ministério das Cidades, permite que as paredes sejam montadas com painéis madeira autoclavada para garantir a proteção contra cupins e umidade. Sobre a estrutura, foi instalado isolamento térmico e acústico e fixadas chapas de cimento na face externa. No interior das paredes, o acabamento é feito em gesso. As casas têm garantia de dez anos e média de durabilidade de 50 anos.
O Moradias Nilo também é o primeiro residencial do município que conta com sistema de aquecimento solar de água. Cada casa recebeu um equipamento que consiste em uma placa de vidro instalada no telhado e conectada a um reservatório térmico de inox, que por sua vez se liga à caixa d'água. No interior da placa de vidro, existe uma serpentina de condutores de energia feitos de cobre e alumínio. A função da placa é captar a radiação solar e aquecer a água que passa pela serpentina.

A instalação do aquecimento solar representa menos de 5% do custo de cada unidade e reduz em até 50% o consumo residencial de energia elétrica. Como em Curitiba os dias nublados são intermitentes, o equipamento conta com um sistema auxiliar de energia elétrica para garantir o fornecimento de água quente nessas condições.
Os imóveis foram entregues a famílias com renda de até R$ 1,6 mil no âmbito do programa habitacional.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

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terça-feira, 18 de março de 2014

Mais razão e menos emoção

Luca Maribondo
Começa a campanha eleitoral e surgem no seu rastro as indefectíveis pesquisas de intenção de voto. Estas se tornaram inarredáveis do processo eleitoral brasileiro em todos os seus níveis. DataFolhaIbope e outros institutos de pesquisas se tornam palavras comuns do vocabulário do mais humilde e iletrado dos cidadãos brasileiros. Quase só se fala em pesquisa, ainda que faltem mais de dois meses para o pleito de outubro.
Mas dá pra gente confiar de fato nesses levantamentos? As pesquisas de intenção de voto têm cumprido uma dupla função. Por um lado, como instrumento de investigação da realidade, capaz de informar eleitores, políticos, partidos, orientando-os em suas decisões. Por outro lado, acobertadas pela imagem de trabalho científico, eles têm sido usadas para desinformar a opinião pública, visando à manipulação do voto. Como avaliar, porém, os resultados muitas vezes contraditórios que costumam ser publicados, para não ser enganado?
Há alguns anos, o sociólogo Gustavo Venturi, então diretor de operações do DataFolha, hoje sócio da Criterium Consultoria em Pesquisas, em artigo publicado sob o título "Como não ser enganado pelas pesquisas eleitorais", listava cinco cuidados básicos para compreender e avaliar corretamente esses levantamentos:
Confira o dia ou os dias em que as entrevistas foram feitas. Dependendo da agilidade do instituto e dos interesses de quem pediu o levantamento, entre a coleta dos dados e sua divulgação podem passar de um a dez dias ou mais. De acordo com o que acontecer nesse período —um debate entre os candidatos na televisão, o surgimento de uma nova candidatura, a veiculação de alguma denúncia contundente—, ao ser publicado o resultado pode já estar "velho", devendo ser relativizado;
Confira a amostragem da pesquisa. Não é raro se descobrir que um levantamento apresentado como nacional referia-se a uma pesquisa feita apenas em alguns Estados, ou só em capitais e regiões metropolitanas. Tratando-se de eleições presidenciais, nada mais falso! É o famoso gato por lebre. Não se faz uma boa amostra eleitoral hoje no Brasil, que conta com quase 5 500 municípios, em menos de cem cidades, distribuídas em todos os Estados e com eleitorados de todos os tamanhos;
Confira a formulação das questões aplicadas aos entrevistados. Além do risco de perguntas enviesadas, em qualquer momento de um processo eleitoral as respostas de intenção de voto espontâneas serão muito diferentes —e portanto incomparáveis— das respostas estimuladas por listas de candidatos;
Confira as credenciais de quem faz a pesquisa e os propósitos do cliente ou seja, quem paga pelo serviço. Procure saber qual o instituto que assina a pesquisa e quem a encomendou. Qualquer pessoa ou grupo tem o direito de fazer e divulgar pesquisas eleitorais. Tanto a qualidade técnica de um levantamento como o compromisso com a verdade dos profissionais nele envolvidos precisam ser comprovados. Ao tomar conhecimento de uma pesquisa eleitoral, informe-se sobre que instituto a fez e qual seu desempenho em eleições anteriores. Além disso, é bom checar quais são os vínculos de interesse entre quem fez e quem pediu a pesquisa, e qual dos dois a está divulgando. Uma pesquisa eleitoral encomendada por um candidato só será publicada se for do seu interesse, merecendo por isso ser lida com dupla precaução. O grau de isenção na divulgação de uma pesquisa, por sua vez, depende diretamente do grau de independência do meio de comunicação em relação aos políticos envolvidos. Muitas vezes esse grau é igual a zero: o político bem avaliado ou em ascensão é parente próximo, ou parceiro econômico em outros empreendimentos, quando não o próprio dono do veículo divulgador da pesquisa. Fique atento.
Veja o resultado da pesquisa com seus próprios olhos. Aprenda a ler os números. Dado que mesmo entre os poucos veículos de fato independentes a objetividade jornalística é uma utopia que nunca se realiza plenamente, recomenda-se aos telespectadores de todos os canais e aos leitores de todos os jornais que aprendam a ler os dados —as tabelas, os gráficos— por si mesmos. Esse é o único antídoto para não ser levado por interpretações distorcidas. Feito isto, exerça depois uma leitura crítica da interpretação que costuma acompanhar as pesquisas eleitorais e tire suas próprias conclusões.
E se o resultado de um levantamento for divulgado sem as informações necessárias para seguir as recomendações indicadas —que, aliás, não são tão fáceis assim de serem entendidas pelo cidadão comum— por Venturi? Neste caso, de três, uma: houve um descuido, tendo se descumprido tanto a legislação eleitoral como o código de ética que regula as atividades dos institutos de pesquisas de opinião e mercado; a ocultação de um ou mais desses dados foi deliberada, visando impedir uma avaliação correta do resultado da pesquisa para beneficiar ou prejudicar um ou mais candidatos envolvidos; a pesquisa que o candidato jura ter no bolso do colete, colocando-o à frente dos demais, indicando que vencerá já no primeiro turno, ou que seu adversário está despencando, se é que existe, foi tão "encomendada" que não passa por uma comparação crítica com outros levantamentos disponíveis.
Mas tem mais: as pesquisas de intenção de voto devem ser contextualizadas, isto é, devem ser avaliadas de acordo com o processo eleitoral em que estão insertas. Como são retratos do momento, seus resultados só devem tratados como uma fonte a mais de evidência no contexto analisado. Simplificando: as pesquisas eleitorais são perecíveis. Sua data de validade é determinada pelas variações da opinião pública.
Como a opinião das pessoas é dinâmica e responde aos estímulos que recebe, está sujeita a influências variadas —campanha, fatos inesperados, debates, o papo do botequim, as dicas dos amigos, a proximidade etc., até os diálogos das novelas—, as pesquisas devem sempre ser interpretadas dentro do contexto no qual foram realizadas.
E por se tratar de estatísticas e não números absolutos, toda pesquisa apresenta uma margem de erro que depende do tamanho da amostra estudada e dos resultados obtidos. Isso ocorre porque não é entrevistado todo o universo da população —aí, seria censo, não pesquisa—, mas apenas uma parte representativa deste. Trabalhando dessa maneira, há sempre um erro de amostra conhecido e calculado especificamente para cada pesquisa eleitoral.
Para uma mesma amostra, quanto maior a homogeneidade da população pesquisada, menor será o erro amostral e vice-versa. Por isso, não existe um erro amostral único e fechado para a pesquisa como um todo, pois em cada informação fornecida pela pesquisa há um erro correspondente. No caso das pesquisas eleitorais, esses erros são geralmente desiguais para os diversos candidatos em função da distribuição geográfica do eleitorado de cada um deles. A margem de erro comumente divulgada refere-se a uma estimativa de erro máximo, considerando-se um modelo de amostragem aleatória simples.


Desta maneira, os resultados de uma pesquisa devem ser interpretados dentro de um intervalo que estabeleça limites à estimativa obtida: o chamado intervalo de confiança. O intervalo de confiança é sempre pré-estabelecido antes do início da pesquisa, de comum acordo entre o cliente e o Ibope. Geralmente, fica em torno de 95%. Isso quer dizer que se uma pesquisa fosse realizada 100 vezes em 95 delas o resultado ficaria dentro da margem de erro.
O erro mais comum na leitura dos dados de uma pesquisa eleitoral é divulgar tendência de subida ou queda de determinada candidatura a partir de diferenças mínimas no resultado, que não caracterizam estatisticamente uma tendência. Só é possível chegar à conclusão que uma candidatura está crescendo ou caindo, se houver, pelo menos, três pontos consecutivos de aferição, com pelo menos três deles seguindo na mesma direção. Assim, para se dizer ou escrever com segurança que um determinado candidato cresceu ou caiu sem errar, é preciso analisar a evolução do seu desempenho dentro de uma série de pesquisas e não somente comparar, isoladamente, a pesquisa atual em relação à anterior.
Portanto, caro leitor/eleitor, qualquer que seja o caso, na ausência de informações recomenda-se prudência. Senão, você poderá ser enganado ou usado. Ao contrário do que imaginam alguns, a melhor maneira de controlar o mau uso de prévias eleitorais não é proibindo a divulgação, mas garantindo sua multiplicidade. A proibição apenas agravaria o desnível de informação entre os eleitores e os candidatos, que seguiriam encomendando seus próprios levantamentos. Já a proliferação de pesquisas eleitorais, apropriadamente divulgadas, permite ao eleitor compará-las e tirar suas próprias conclusões.
Se o cidadão brasileiro votasse com mais razão e menos emoção, procurando analisar profundamente o que representam e quem são realmente os candidatos, o que fizeram e disseram no passado, certamente o Brasil seria um país muito melhor. A vitória não está em ter votado no candidato vencedor, mas em ter a certeza de que votou de acordo com a sua consciência e com a sua ideologia.
Ou bem você é a favor de colocar na cadeia homens limpos —que usam até colarinho branco— e bem vestidos como Marcos Valério, Roberto Jefferson, professor Fernando Henrique Cardoso, João Paulo Cunha, o operário Lula da Silva, Silvio Pereira (o moço do Land Rover), José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, mensaleiros, sanguessugas e outros que tais—; ou prefere, como a maioria dos brasileiros, continuar lutando para que sejam presos apenas indivíduos das chamadas classes menos favorecidas da sociedade.

FONTE: http://casadomaribondo.blogspot.com